Santa Maria Madalena alemã

Santa Maria Madalena alemã

Tempo de leitura: 3 minutos

Santa Maria Madalena alemã, em madeira de tília policromada trabalhada entre 1515 e 1520 pelo escultor alemão Gregor Erhart (1470-1540), um mestre renomado do século XVI.

Foi encomendada provavelmente para decorar o interior da igreja Santa-Madalena do convento dos Dominicanos de Augsbourg, (Alemanha), restaurada entre 1513 e 1515.

A estátua se encontrava sustentada por anjos, suspensa no teto por uma estrutura oval metálica, visível em todos os lados.

A lenda:

Segundo a lenda, Santa Maria Madalena após evangelizar uma parte da região da “Provence” (sudeste da França) foi viver como eremita na Gruta de Sainte-Baume, a 35 km de Marselha, vestido apenas com seus longos cabelos dourados.

Grota e monastério de Maria Madalena da Sainte-Baume. Foto: A. Bachellier.

Todos os dias era levada ao céu por uma brigada de anjos para ouvir os coros celestes e depois trazida de volta.

Interior da Gruta da Sante-Beaume (Província). Foto: Wikimedia Commons.

Santa Maria Madalena alemã:

A Santa Maria Madalena alemã foi construída com muita delicadeza num único tronco de madeira de tília (exceção as mãos juntas), num estilo puro e refinado de sublime sutileza, característico da tradição gótica tardia, muito utilizado na região da Suábia, no sudoeste da Alemanha.

Santa Maria Madalena alemã
Santa Maria Madalena, de G. Erhart. Louvre. Foto: Wikimedia Commons.

As curvas do quadril, com suas proporções harmoniosas plenas de um corpo feminino, revela a busca do escultor pela beleza caraterística do Renascimento.

Santa Maria Madalena alemã
Santa Maria Madalena, de G. Erhart. Louvre. Foto: Thierry Ollivier.

A beleza do rosto gentil, com suas características regulares e firmes, acentuada pelo policromo original, foge refinamento da tradição gótica.

Santa Maria Madalena alemã
Santa Maria Madalena, de G. Erhart. Louvre. Foto: Tangopaso.

O genialidade de Gregor Erhart foi interpretar a imagem tradicional do ser sagrado, de uma maneira sem precedentes na escultura.

Santa Maria Madalena alemã
Santa Maria Madalena, de G. Erhart. Louvre. Foto: Thierry Ollivier.

Longe da convenção gótica de uma figura magra e irreal, ele revela curvas femininas, quase ocultas pela cabeleira dourada ondulada e macia, que escorrem por seus ombros fluem sobre o busto e se desdobram nas costas.

A modelagem do corpo, as cavidades suaves dos músculos tensos e fragéis nas partes carnudas, mostra grande sensibilidade.

Santa Maria Madalena alemã
Santa Maria Madalena, de G. Erhart. Louvre. Foto: Thierry Ollivier.

Os pés, a base e a coxa da perna direita foram restauradas nos século XIX, mas com o tempo voltaram apresentar sinais de rachaduras e envelhecimento da madeira.

Santa Maria Madalena alemã
Santa Maria Madalena, de G. Erhart. Louvre. Foto: Tangopaso.

A Santa Maria Madalena nua, singular esculpida na escala humana de 1.70 de altura entrou no comércio de arte alemã no século XIX e foi adquirida pelo Museu Louvre, em 1902, do colecionador Siegfried Lämmle (1863-1953).

Tem no seu histórico alguns infortúnios quando foi usada como estátua contra um pilar, o rosto pintado com lágrimas, foi vestida por conservadores da igreja, repintada sem cuidados especiais e durante a 2° Guerra Mundial chegou ser confiscada pelos nazistas.

Recuperada após guerra, teve sua policromia original restabelecida.

Localização no Louvre

A Santa Maria Madalena alemã encontra-se bem escondida, distante do fluxo normal dos turistas da ala Denon, entre-solo (nível -1), sala 169, vitrine 6.

Santa Maria Madalena, ala Denon, nível -1, sala 169, vitrine 6. Museu do Louvre.

Gostaria de fazer uma visita guiada ao Louvre? Então clique no botão abaixo para mais informações e agendamento. Aguardo seu contato! Tom Pavesi.

Fonte: Site do Louvre. Fotos: Wikimedia Commons.

9 Comentários


  1. Tom Pavesi, esta quarentena para mim, é muito mais que necessidade mas obrigatória. Estou no grupo de risco por ser hipertensa e idade (80).
    Que peça fantástica, infelizmente, com o decorrer do tempo a mentalidade humana tende a alterar e às vezes, mutilar obras de arte , por ignorância ou questões religiosas. Agradeço novamente, por nos repassar seus conhecimentos.

    Responder

  2. Prezado Tom Pavesi
    Essa imagem de Maria Madalena é uma das mais belas que já vi. Obrigada por mostrar.
    Mais um motivo para resistir no isolamento e planejar uma visita a Paris e ao Louvre , assim que essa onda passar.

    Responder

  3. Adorei essa aula em plena quarentena. Deixa a vida mais leve. Claro, com vontade de voltar ao Louvre logo para ver a Maria Madalena. Obrigada Tom!

    Responder

  4. Sou fascinada pela “Madá”. Eu a encontrei, por acaso, no Louvre, em uma das visitas. Fiquei simplesmente ma-ra-vi-lha-da. Ah, Madá não tinha nada de pecadora. Invenção da ICAR! GRUMPFFF! Pretendo visitar Saintes Marie de la mer, região onde Madá e suas amigas teriam aportado, após a “morte” do Mestre.
    Super agradecida pela matéria.

    Responder

  5. COMO SEMPRE ESTOU EXTASIADA COM TANTA SERIEDADE EM PESQUISAR ESSAS OBRAS QUE TEM QUASE A IDADE DO BRASIL.
    PARABENS TOM E MUITO OBRIGADA PELOS PRESENTES QUE NOS OFERECE .ABS MEU E DO SILVIO

    Responder

  6. Obrigada por estas informações. Fiquei imaginando quão difícil deve ter sido esculpir na madeira estes cabelos soltos no ar..

    Responder

  7. Obrigada Tom por essa maravilhosa aula! Não conhecia a Madalena alemã. Espero voltar ao Louvre para admirar essa e outras fantásticas obras. Abraço virtual!

    Responder

  8. Fiz dois anos de história da arte no Louvre e não tive a felicidade de conhecer esta peça maravilhoso Se Deus quiser a próxima vez que for a Paris será a minha primeira visita Muito grata pelas suas aulas

    Responder

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *