Mona Lisa ou Mon Salai

Mona Lisa ou Mon Salai

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Mona Lisa ou Mon Salai. Talvez esse seja mais um misterioso segredo escondido por atrás deste mundialmente famoso retrato pintado pelo genial pintor florentino renascentista, Leonardo Da Vinci (1452-1519), entre os anos de 1503 a 1506 (ou 1507).

Mona Lisa para muitos.

Mona Lisa ou Mon Salai
Mona Lisa, de Leonardo da Vinci.

Mona Lisa é a enigmática esposa de Francesco del Giocondo também conhecida pelos nomes: Lisa Maria Gherardini, Lisa del Giocondo, Lisa di Antonio Maria, Lisa di Antonmaria ou Gioconda. 

Em 1503, Francesco di Bartolomeo di Zanoli del Giocondo importante negociante de tecidos em Florença, Itália, possivelmente contratou os serviços do renomado pintor da época, Leonardo Da Vinci, para que retratar sua terceira e fiel esposa, Lisa ou melhor, Mona Lisa, (contração de Madona = Mona).

As possibilidades desta contratação talvez foi para marcar o nascimento do 3° filho do casal, Andrea, em 1502, após a triste perca de um precedente filho ocorrido durante a gravidez, e também para comemorar a compra de uma casa própria mostrando assim sua rica e rápida ascensão social no comércio, e na política da cidade, onde foram recebidos como os novos membros da alta sociedade florentina ou “os novos ricos”.

Mas o sabemos de fato é que Francesco del Giocondo nunca recebeu sua encomenda, pois 1506 quando Da Vinci saiu de Florença para morar em Milão, o quadro ainda estava inacabado. E em 2 de maio de 1519, data da morte de Da Vinci, o quadro se encontrava na casa emprestada pelo rei, Francisco I°, “Clos Lucé”, em Amboise, na França.

Melzi, o herdeiro.

Muitas histórias foram ditas e escritas sobre ela, mas o que podemos dizer ao certo, graças aos documentos da época (século XVI), que com a morte do pintor, o quadro com o retrato da Mona lisa foi negociado (ou comprado), pelo rei Francisco I°, diretamente com o provável herdeiro do pintor, Francesco Melzi.

Francesco Melzi jovem ajudante, aluno e pintor acompanhou Da Vinci em 1516, nesta viagem entra Florença e Amboise, na França ajudando-o até os últimos momentos da vida dele.

Mona Lisa ou Mon Salai
Trattato delle Pittura, de Leonardo da Vinci

E foi ele quem acabou herdando livros, ferramentas, pincéis, anotações, desenhos, e principalmente o manuscrito de escritas, o famoso Trattato della pittura”sobre os fundamentos do desenho e da pintura, e suas relações filosóficas e teóricas, com o mundo artístico.

Perguntas, sem respostas.

Leonardo da Vinci tinha o costume de anotar em seu caderno o registro de todas as suas encomendas, como nome do cliente, valor da obra, tema, etc… Mas no caso da Mona Lisa, nada foi encontrado, nenhum registro. Será  mesmo que houve encomenda ?

Se houve encomenda, já que o obra estava terminada em 1507, porque Leonardo da Vinci não entregou ao seu cliente, Francesco  del Giocondo ?

Será que foi por falta de pagamento ou desinteresse pelo quadro ? Pois é sabido que Francesco em 1507, se encontrava endividado, ao ponto de ser preso em 1512 por causas de problemas financeiros e políticos.

Será que Leonardo da Vinci ficou com a obra, com autorização de Francisco del Giocondo, para copiá-la e entregá-la mais tarde, mas como acabou morrendo, e não teve tempo ?

Será que ficou com obra de propósito, para trabalhar e estudar novas técnicas de pinturas, segredos e enigmas, para serem descobertos mais tarde, em outras épocas, por cientistas e pessoas iluminadas como ele?

Mon Salai para poucos.

Mona Lisa ou Mon Salai
São João Batista (entre 1513 e 1516), de Leonardo da Vinci

Se não houve encomenda, será que a pessoa que Leonardo da Vinci usou como modelo é o mesmo que retratou no quadro São João Batista (entre 1513 e 1516) ?

O jovem sedutor, aluno, ajudante e companheiro, Salai, (Gian Giacomo Caprottile), na qual Leonardo da Vinci mantinha uma relação ambígua de protetor e/ou amante.

Neste caso, o nome Mona Lisa seria um anagrama, em francês, de: “Mon Salai” ou “Meu Salai”.

Um dia talvez venhamos saber o motivo, mas com certeza, Leonardo da Vinciconseguiu com este rosto andrógino, feminino, masculino, misterioso, de beleza efêmera, de sorriso enigmático marcar a história da Arte da humanidade.

Percurso histórico de uma obra.

Chegou na França, em 1516, quando Da Vinci foi convidado a vir morar em Amboise, no Vale do Loire, às custas do rei, Francisco I°. Em sua bagagem além da tela da Mona Lisa havia outras duas obras que faziam parte da viagem para sua nova casa, Clos Lucé, em Amboise: “A Virgem e o Menino com Santa Ana”, e o “São João Batista”.

A Mona Lisa esteve exposta no castelo de Fontainebleau, e no Castelo de Versalhes, e somente após a revolução francesa e que foi trazida para o museu do Louvre em 1797, e apresentada ao público em 1798.

Em 1802 foi levada para o Palácio das Tulherias e colocada por alguns meses, no quarto de Josefina, esposa de Napoleão Bonaparte I°. Mas voltou ao Louvre no mesmo ano.

Durante a guerra franco-prussiana (1870-1871) ficou escondida em um porto militar da cidade de Brest.

Em 1911 foi roubada por Vincenzo Peruggia que achava que Napoleão havia tirado dos italianos. Recuperado em 1913 voltou a ser escondida em Bordeaux e Toulouse, durante a 1° guerra Mundial entre 1914-1918.

Em 1939, um pouco antes da ocupação alemã em Paris foi levada para o castelo de Chambord, no Vale do Loire, ficando escondida em várias regiões, até o fim da 2° guerra Mundial.

De volta ao Louvre 1945 e exposta ao público em 1946.

Em 1956 sofreu dois atentados, um psicopata jogou acido danificando a parte inferior do quadro, e um boliviano Ugo Ungaza Villegas jogou um pedra que quebrou o vidro de segurança, cortando um pedaço da tela na altura do cotovelo esquerdo da Mona Lisa.

Fez somente duas viagens para o exterior, uma de navio, (cabine de 1° classe), chegando em 1963 para uma exposição na Galeria Nacional, de Washington, e outra no Museu Metropolitano de Arte, de Nova Iorque, EUA.

De volta para o Louvre, no mesmo ano. Saiu uma 2° vez em 1974, em avião, para o Japão, onde foi exposta no Museu Nacional de Arte Ocidental, em Tóquio. No retorno, passou rapidamente por Moscou. E nunca mais saiu.

Desde 2005, esta exposta numa sala especial chamado Joconda”, um local especialmente projetado para uma exposição pública, mais segura, e vigiada por seguranças do museu. Protegida por um vidro blindado, isolada contra variações de temperatura, umidade e vibrações exteriores.

Mesmo assim com toda essa segurança reforçada, em 2009, a Mona Lisa ainda foi atacada por uma russa que jogou uma caneca de chá, vazia, contra o vidro. E que felizmente nada sofreu.

Composição da obra.

Leonardo da Vinci, mais uma vez optou por uma composição piramidal para nos mostrar sua modelo na posição 3/4 construído na escala real 1:1, bem centralizada, onde a cabeça seria o vértice do triângulo, e os braços seriam a base.

Apresentada com meio do corpo visível, sentada com as mãos cruzadas, seu cotovelo esquerdo está apoiado no braço da cadeira, que não se tocam na moldura do quadro. Vemos ao fundo, uma paisagem distante, e dividida em dois horizontes distintos.

Em toda a obra também foi utilizada a técnica do sfumato”, onde a perspectiva se encontra envolvida numa nuvem suave de tons claros, escuros e transparências. Dando assim uma profundidade a paisagem do fundo, em relação ao retrato pintado com cores fortes e nítida.

Mona Lisa ou Mon Salai, com seu sorriso enigmático, inocente, nos parece bem tranquila e serena, mas podendo estar também, triste e magoada com algo. Sentimentos indefinidos com significados diversos. Uma dualidade que nos provoca a refletir.

O sucesso da obra.

Talvez o olhar ingênuo das pessoas, sem pré-julgamentos seja uns dos fatores para que ela seja tão famosa, pois quando chegam para vê-la ou já leram alguma coisa, e querem ver com os próprios olhos ou escutaram falar e precisam confirmar aquilo que ouviram ou simplesmente visitam para dizer que viram, e vão embora sem nada saber.

Agora tem aqueles que estudam muito antes, e chegam decididos a desvendar os mistérios que se escondem atrás dessa pintura: símbolos, expressões, e mensagens ocultas que o pintor poderia ter deixado para que o seu significado e intenções fossem reveladas.

Lembrando que cada pessoa tem uma interpretação e uma visão geral do tema, segundo sua formação, cultura, e experiências.

Mas sem dúvidas, além de tudo que foi falado, um grande fator do sucesso foi o roubo do quadro, em 1911, que despertou curiosidade, paixão e uma grande aventura da Mona Lisa na Europa. Antes a grande vedete do Louvre era a escultura da Vênus de Milo.

Um perturbante olhar e um cativante sorriso.

Para todos que vierem visitar a Mona Lisa recomendo que olhe fixamente nos olhos dela, em qualquer ponto da sala, e você vai perceber que ela estará sempre te perseguindo com um olhar penetrante e um sorriso tímido misterioso querendo dizer alguma coisa ou ao contrário esconder alguma coisa. Algo que somente Leonardo da Vinci poderá responder.

E para mim, essa é a grande sacada do quadro. Ela perturba e guarda um mistério.

Mona Lisa ou Mon Salai
Mona Lisa, Super Star. Foto: Pedro Fiuza/NurPhoto.

Atualmente a Mona Lisa (ou Mon Salai) é a obra mais conhecida no mundo, e a mais visitada no museu do Louvre com aproximadamente oito milhões por ano.

É a mais admirada, parodiada, imitada, e homenageada por outros artistas como: Camille COROT, Marcel DUCHAMP, Fernand LÉGER, Fernando BOTTERO, Andy WARHOL….

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2 Comentários


  1. Aprecio muito estas postagens, pois além de alegrar-me a vista com quadros famosos e outros nem tanto, às imagens seguem-se as informações preciosas sobre os quadros, técnicas de elaboração e curiosidades das obras. Gosto muito, Continue. Agradecida.

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    1. Obrigado Sonia Maria. Esse é o meu objetivo compartilhar arte e alguns conhecimentos! Abraços. Tom

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