O combate de Davi e Golias

O combate de Davi e Golias

Tempo de leitura: 4 minutos

O combate de Davi e Golias (ou Davi matando Golias), realizado pelo pintor italiano maneirista, Daniele Ricciarelli, conhecido como: Daniele da Volterra (1509-1566).

Daniele de Volterra. Ilustração de Giorgio Vasari (1568).

É a uma obra raríssima do Louvre e única no mundo, que apresenta personagens, com vista de frente e verso, e pintadas sobre o mesmo suporte, no caso, uma placa de ardósia com 1,33 metros de altura por 1,72 metros de comprimento, pesando por volta de 200 kg.

O combate de Davi e Golias
“O combate de Davi e Golias” (1550 e 1555), de Daniele da Volterra. Museu do Louvre.

O debate:

Daniele da Volterra produziu por volta de 1550 e 1555, para o literato fiorentino, Giovanni della Casa ((1503-1556), uma escultura em terracota (desaparecida) e essa pintura em dois lados sobre ardósia, ambos representando “O combate de Davi e Golias”.

A pintura foi realizada após um desenho de Michelangelo (1475-1564), mestre, amigo e protetor de Daniele de Volterra. Fez parte de um debate artístico que opunha os méritos da pintura sobre a escultura. A principal ideia era verificar se os personagens representados na pintura por duas vistas, frente e verso, poderiam concorrer plasticamente contra uma escultura tridimensional, no mesmo tema.

Michelangelo concluiu que esse debate era sem propósito, pois achava que mesmo uma pintura sendo feita em dois lados, não dava para ser comparado com a técnica de uma escultura de vulto (ou em francês: ronde-bosse), onde detalhes como, volumes, expressões e formas anatômicas são impossíveis de serem representadas com a mesma qualidade e beleza.

Michelangelo, por Daniele da Volterra.

A obra rapidamente se tornou um sucesso em Florença, mas o nome do artista foi esquecido por anos.

“O combate de Davi e Golias”, em Versalhes:

“O combate de Davi e Golias” reapareceu nas mãos do cardeal italiano Niccolò del Giudice (1660-1725) que ofereceu ao rei da França, Luís XIV (1643-1715), em 31 de julho de 1715, como sendo obra de Michelangelo.

Louis XIV, de Nicolas René Jollain, le Vieux. Castelo de Versalhes.

Contente com seu presente, ordenou que fosse construído um novo pedestal pivotante de madeira (folheado a ouro), para suportar os 200 kg da placa de ardósia, e assim poder apreciar os dois lados da pintura, sentado no seu trono real.

O combate de Davi e Golias
“O combate de Davi e Golias”, de Daniele da Volterra. Museu do Louvre.

Permaneceu na corte de Versalhes, até a Revolução Francesa (1789), quando foi trazida para o Louvre juntamente como outras obras confiscadas pelos revolucionários.

O tema:

A cena bíblica muito conhecida apresenta o jovem pastor Davi (ca. 1010 a.C. a ca. 1003 a.C.), hebreu, futuro rei de Israel Unificado, combatendo Golias (1200 a.C.-1000 a.C.), o campeão dos filisteus. Um combate a dois, para se evitar uma guerra, com milhares de mortos e feridos em ambos os lados. Ficou decidido que a população da região perdedora se tornariam servo da região vencedora.

Resultado final: “Os filisteus quando viram seu campeão morto, fugiram, (Samuel 17:51). Foram perseguidos por homens de Israel e de Judá e dizimados até suas cidades (Samuel 17:52)”.

Descrição do tema:

Danielle Volterra preferiu representar o momento em que Davi, após ter golpeado o guerreiro Golias na testa, com uma pedra atirada de um estilingue, avança violentamente sobre seu oponente caído no chão desiquilibrado, segurando uma cimitarra (espada em curva de Golias) e pronto para lhe dar o golpe fatal, que cortará sua cabeça.

Existem pequenas diferenças nas duas cenas de frente e verso:

O combate de Davi e Golias
Frente: “O combate de Davi e Golias”, de Daniele Volterra. Louvre.

A veste-saiote azul cobre uma parte das costas, e a capa dourada uma parte do braço de Davi, na versão Frente.

A expressão de Davi, no lado Verso, está mais agressiva e a cabeça de Golias está mais caída que na pintura de Frente.

O combate de Davi e Golias
Verso: “O combate de Davi e Golias”, de Daniele Volterra. Louvre.

Volterra, escolheu como suporte uma grande placa de ardósia bem lisa talvez como um desafio, visto que ninguém nunca havia trabalhado sobre esse tipo de material.

Assim que a obra estava bem avançada, apareceu uma fissura na placa, e ao consertá-la ficou aparecendo uma marca bem perceptível, sobre a pintura.

O combate de Davi e Golias
Fissura visível sobre a pintura “O combate de Davi e Golias”, de Volterra. Louvre.

A obra é raríssima, pois não existe no mundo nenhum um pintura realizada sobre uma placa de ardósia e em dois lados. Os volumes foram tratados por tons quentes, fazendo sobressair com mais força, sobre o fundo escuro.

Para alguns historiadores, “O combate de Davi e Golias” tem uma dupla classificação, pois como a placa de pedra de ardósia foi trabalhada de forma escultural consideram que ela além de ser uma pintura é também uma escultura.

Localização da obra:

Departamento de Pinturas Italianas.

Ala Denon, 1° nível, Grande Galeria, sala 712.

“O combate de Davi e Golias”, de Volterra. Ala Denon, Grande Galeria, sala 712.

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Fonte: Museu do Louvre. Fotos: Wikimedia Commons.

5 Comentários


  1. Quando estive no Louvre não vi, como não vi muitas obras …
    Realmente essa é espetacular
    Preciso de uma semana de Louvre …
    quem sabe depois da pandemia

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