Vitória de Samotrácia ou Nike de Samotrácia

Vitória de Samotrácia ou Nike de Samotrácia

Tempo de leitura: 5 minutos

Escultura em mármore branco da ilha de Paros (Grécia). Cerca de 220 a.C a 185 a.C.

Arte helenística do III ao I século a.C. Departamento de Antiguidades gregas, etruscas e romanas. Ala Denon / Nível 1 / Escadaria Daru / Sala 703.

Na Grécia antiga, “Niké” (em latim) ou “Vitória” (em romano) ou “Nice”, (em português)  ou “Nike”, (EUA – simbolo do famoso tênis americano), era a deusa mensageira enviada por Zeus para anunciar o triunfo e a glória, aos vencedores dos campos de batalhas, seja ela terrestre ou naval.

Moeda grega época do rei Demétrio I – Poliórcetes (337 a.C. – 283 a.C.)

Descoberta :

Em 1863, o vice-cônsul francês na Turquia, Charles Champoiseau, (1830 – 1909)arqueólogo amador, recebeu uma missão do imperador da França Napoleão III (1852-1870), para que trouxesse de suas viagens, um máximo de objetos antigos para embelezar e enriquecer as coleções do Louvre Imperial, (atual Museu do Louvre).

Partiu então navegando pelo mar Egeu, até a ilha de Samotrácia, na Grécia, para explorar um antigo santuário dedicado aos “Grandes deuses da Grécia”, (a Paz, Justiça, Fortuna, Vingança, Esperança, Fertilidade, Amor…), que se encontrava em ruínas.

Mapa da ilha de Samotrácia, no mar Egeu, Grécia.

E foi lá que acabou encontrando uma das mais antigas atribuições desse deuses, a deusa Vitória (Nice), quebrada em vários pedaços.

Em 11 de maio de 1864, chegou ao Louvre tudo que Charles Champoiseau havia encontrado até aquele momento.

Em 1866, depois de um minucioso trabalho de reconstituição, o bloco principal do corpo foi exposta ao público. Enquanto que a asa esquerda e a parte alto do busto foram deixadas em reserva para estarem incompletas.

Vitória de Samotrácia ou Nike de Samotrácia
Vitória de Samotrácia incompleta na sala das Cariátides (1866)

Os pedaços da proa do navio e da base, só foram encontrados em 1876 por arqueólogos austríacos, e somente foram enviados para Paris em novembro de 1879, para serem montados com o restante do corpo da Vitória de Samotrácia.

Montagem da Vitória de Samotrácia na páteo do Louvre (1879).

Algumas partes da escultura que não foram encontradas ou que estavam quebradas foram preenchidas com gesso, como: a asa direita, reconstituída inteiramente; a ponta da asa da esquerda; e toda uma parte alto do corpo, (na altura dos seios), e o ombro esquerdo.

Vitória de Samotrácia ou Nike de Samotrácia
Restauros em gessos na escultura da Vitória de Samotrácia. Museu do Louvre

Em 1884, após colocarem uma armadura metálica para deixá-la completa foi apresentada ao público, de frente, no alto da escadaria “Daru”, com a base, a proa do navio, o corpo e duas asas.

Vitória de Samotrácia ou Nike de Samotrácia
Escadaria Daru e a no alto a escultura da Vitória de Samotrácia. Foto: A. Dequier

A palma da mão da direita somente foi encontrada na ilha de Samotrácia, em 1950. Aberta, com dois dedos estendidos, o polegar e o anelar, que nos leva a pensar que seu gesto era uma simples saudação.

Mão com dois dedos encontrado em 1950. Foto: Anne Chauvet

Quanto aos braços, mão esquerda, pés e a cabeça, nunca foram encontrados.

Devido aos pequenos modelos em terracota da deusa Vitória encontrada na Turquia é de supor que o braço direito estivesse um pouco dobrado e levantado.

Reconstituição da Vitória de Samotrácia. Desenho de Valérie Foret.

Outra suposição é que pelo movimento das pernas, seu pé direito estaria saindo da embarcação, enquanto que o pé esquerdo estaria no ar planando.

Construção da Vitória de Samotrácia alada:

A escultura completa da Vitoria de Samotrácia é composto em três partes e vários pequenos blocos de mármore:

Vitória de Samotrácia ou Nike de Samotrácia
Detalhe Vitória de Samotrácia

1°- Vários pedaços esculpidos separadamente; um bloco único da linha acima dos pés até a linha abaixo dos seios. Um outro bloco menor, dos seios até a cabeça. E blocos distintos para o vestido drapeado. Um bloco para a asa da esquerda, e um outro desaparecido para direita (a da direita é restituição em gesso). Tudo em mármore branco, da ilha de Paros.

Vitória de Samotrácia, proa e base em mármore cinza da ilha de Rodes, e corpo e asa em mármore branco da ilha de Paros.

2°- A proa de um navio, que forma a base da estátua, é em mármore cinza da ilha de Rodes.

3°- A base retangular abaixo da proa do navio, serve para sustentar todo o conjunto, também em mármore cinza, da ilha de Rodes.

História:

A Vitória de Samotrácia alada talvez esteja relacionada com as importantes batalhas navais que ocorrem no mediterrâneo, (221 a.C. a 189 a.C), e por esse motivo tivesse sido construída para se comemorar e agradecer as vitórias gregas contra os inimigos invasores.

Na realidade, não existe uma identificação concreta sobre autoria da obra, e são poucos os elementos para datar exatamente o ano da sua construção. O que sabemos, é que ela foi construída na época helenística, entre os anos de 250 a.C. a 185 a.C.

Foi encontrada no santuário dos  “Grandes deuses de Samotrácia”, no alto da colina abrigada numa cavidade de rocha, virada para esquerda, na posição 3/4 esquerda de maneira a ser admirada por suas proporções, grandeza, beleza e sensualidade.

Projetada para frente com suas asas gigantes, podemos notar que respingos do mar umedecem a sua túnica de linho drapeado deixando colado ao corpo. Uma parte da túnica molhada desce pelas nas pernas, terminando esvoaçadas pelo vento, nas suas costas.

Detalhe da transparência no mármore da escultura Vitória de Samotrácia. Museu do Louvre.

A mais famosa figura decorativa  da deusa Vitória é o logo do tênis Nike.

Nike e a asa da Vitória (de Samotrácia).

Fonte: Site Museu do Louvre e pesquisas na internet.

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6 Comentários


  1. Tom. Como sempre maravilhoso o seu artigo. Elucidativo e muito interessante. Tom é Cultura!

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  2. É impressionante a beleza esculpida em mármore,mesmo faltando partes que compõem esta obra que retrata uma época tão distante!
    Obrigada pelas informações e detalhes preciosos desta lindíssima obra de arte!

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  3. Tom boa tarde

    Que aula !!!!!!!! vou ver varias vezes ……eu adoro essa escultura .
    Muito obrigada pela sua generosidade em passar para nos esses ensinamentos .
    Abracos meu e do Silvio

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    1. Olá Neusa e Sílvio,

      É verdade que muitos admiram essa obra, mas poucos conhecem sua incrível história…Um jogo de quebra-cabeça gigante e que ainda não está completo. Obrigado pelo comentário.
      Abs ao casal!

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  4. Adorei a história. Espero voltar a Paris e visitar o Louvre. Um abraço Tom.

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